Prezado professor Carmino,
Cheguei ao final de “Minha vida na Saúde Pública: os desafios das epidemias”, nesta gostosa manhã de julho. Nessa sua linda trajetória você foi acumulando encontros, emoções, descobertas e ações que marcaram a vida de pessoas tanto individualmente como coletivamente.
Passamos por um momento - talvez longo demais - de grande sofrimento psíquico de estudantes e médicos. A sobrecarga de informações e exigências dos cursos de medicina, à qual se sobrepõe as intrometidas redes sociais que impedem o repouso mental, parece adoecer aqueles que pretendem cuidar do sofrimento humano. Ao ler seu livro, pensei que deveria ser leitura obrigatória para os jovens internos e residentes, pois precisam de modelos que os inspirem ao exercício de uma medicina humanizada, sensível, engajada socialmente e apoiada na ciência.
Em todas as etapas de sua vida você conseguiu conciliar família, pesquisa, ensino e gestão pública. Misture bem e tem-se um caldo de sabedoria, eficiência e humanidade.
Agradeço pela gentileza de nos permitir conhecê-lo melhor. Tomo a liberdade de agradecer-lhe também em nome das pessoas e famílias que tiveram seu sofrimento minimizado graças à sua dedicação à Saúde Pública.
Após a leitura, enquanto passeava com dois vira-latas, me mantive em pensamento com a sua vida na saúde pública e, de repente, me veio uma ideia que ouso lhe comunicar. Antes, preciso contextualizá- la. Há cerca de três anos, estando eu em Roma para congresso de Saúde Pública, fui visitar o Museo di Storia della Medicina da universidade Sapienza. Uma interessante visita. Em um dos andares estavam expostos desenhos de crianças de escolas que visitam o museu. Minha ideia/proposta: fazer o mesmo com nosso Centro de Memória e Arquivo da FCM: receber regularmente estudantes e comunidade em geral. Por exemplo, "Conversa com Dr. Carmino às terças à tarde". Vc tem escrito regularmente sua coluna que recebo por WhatsApp e, portanto, já tem muitos temas prontos para dialogar com a comunidade. Seria uma atividade extensionista muito interessante e mais pessoas teriam a oportunidade de conhecer suas reflexões sobre a saúde e ciência. Gostaria de explicar melhor essa proposta num almoço.
Um forte abraço,
Rubens
Jaguariúna, 4 de julho de 2026.
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