domingo, 19 de julho de 2026

Verdade e mentira

Caro Cremasco,

Boa noite. Desculpa incomodá-lo numa sexta-feira à noite, durante jogo de Copa do Mundo. Troquei a peleja por Guilherme de Almeida e acho que fiz bem. Não sei se saiu gol por lá. Acho que não porque a vizinhança está silenciosa. Mas não foi o poeta campineiro que me levou a escrever-lhe esta mensagem; pelo menos não diretamente. A missiva emergiu da referência que o escritor fez ao encontro entre Oscar Wilde e André Gide, na Argélia, a partir do qual nos faz refletir sobre a vantagem estética da mentira na literatura. Guilherme acha que o encontro ocorreu em 1891, mas parece que ano correto foi 1895. Você, com maior intimidade com o "dândi irlandês" saberá esclarecer melhor que eu. O irlandês e o francês buscavam, aparentemente, fugir da repressão vitoriana e da elite francesa, e desfrutar de experiências homossexuais em outros ambientes. Aproveito para lhe perguntar sobre o lugar que a mentira ocupa na sua obra literária. 

Abraço


P.S.: Marco Aurélio Cremasco é autor de "Wilde, uma peça". (Confraria do tempo, 2024) 

Nenhum comentário:

Postar um comentário