Não foi um encontro qualquer. Foi um encontro de escritora e leitor, mediado por amiga em comum, indispensável após a leitura de "Cartas a uma mulher incrível” (Editora Bora Publicar, 2025), de Ariana Gilberto, uma mulher preta, dona de um belo sorriso, que decidiu compartilhar com seus leitores um pouco de sua história e reflexões relacionadas a negritude e racismo.
Sentimento de forte gratidão à Rose, uma mulher negra, forte, generosa, sempre disposta a ajudar pessoas. A meu ver, muito parecida com sua mãe Marilene. Nos cruzamos pela extensão universitária. Conversas, conversas, conversas. Me dei conta que o domínio teórico, competência prática e assertividade que caraterizam seu trabalho não constituem apenas virtudes pessoais, mas também ferramentas de sobrevivência e resistência dentro de uma estrutura universitária de renomada expertise na análise de fenômenos biomédicos, frequentemente em laboratórios sofisticados, mas não raramente cega ou incompetente para compreender o modus operandi de uma funcionária dessa qualidade. Empatia, respeito, admiração. Um dos temas que nos ligou foi o racismo. Acho que foi por isso que ela lembrou de mim quando recebeu o exemplar de Ariana.
Devorei as cartas em um dia. Confesso que foi o tema do cabelo afro que me fez pedir à Rose para me apresentar a escritora campineira, formada em pedagogia na Unicamp. Talvez porque eu - professor de medicina e outrora médico da atenção básica do SUS - acompanho há muitos anos a história de uma linda menina de dez anos de idade, vítima de racismo covarde por causa de seus cabelos.
Foi assim que nos encontramos para almoçar no início de julho. O atencioso garçom registrou o momento. Apenas depois, já em casa, observando atentamente a fotografia, percebi que além das expressões de felicidade pela reunião, as cores de nossas roupas falavam por nós: afeto, empatia, alegria, espiritualidade, elegância. Não tinha como esconder.
Conversamos sobre o livro - seu nascimento, escrita, lançamento, desdobramentos. Contamos episódios de nossas trajetórias, histórias, causos.
Quem falou que a vida é uma sequência de pequenos momentos, de múltiplos encontros, não estava errado. Hoje vivemos!

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